quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Familia casa onde as pessoas tem a mesma chave ??



Família casa onde as pessoas tem a mesma chave ??

O conceito de família, independente de suas variações, é basicamente o mesmo desde os primórdios da humanidade.
Hoje, apesar de no passado já terem sido registrados casos semelhantes ao longo da história da humanidade, a família pode tanto ser constituída por pais e filhos, como por um conjunto de amigos, onde cada membro assume uma função social perante os demais.
O que conhecemos como família hoje tem pouca similaridade com as expressões culturais da época bíblica. Há, no decorrer da história da humanidade várias compreensões diferentes de família. E com isso, é difícil estabelecer uma definição universal e normativa de família.
Logicamente, a família se distingue de outros grupos sociais devido a sua função ou atribuições: determinação de um lugar comum de residência, satisfação de necessidades sexuais e afetivas, estabelecimento da unidade primária de cooperação econômica, procriação, socialização de novas gerações.  Essas atribuições descrevem a tribo, o clã ou a família extensa. A família nuclear que é a mais conhecida por todos (papai, mamãe e filhos) é uma adaptação posterior de todas as formas de grupos sociais.
Hoje, no século XXI há novas definições para família. Família é encontrada nos grupos de rua, que se unem para juntos suportarem a dor que a vida lhes impõe, está na igreja e tantos outros lugares.
Há uma música que diz, de certa maneira, o que é família nos dias de hoje:
Família é quem você escolhe pra viver
Família é quem você escolhe pra você
Não precisa ter conta sanguínea
É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia. (O Rappa)
Ou seja, "Família é todo conjunto de pessoas unidas por interações sociais com certo grau de coesão entre seus membros, com graus de parentesco artificiais ou concretos, declarados ou ocultos, com ou sem ligação genética".
Com isso, podemos dizer que o conceito de família muda com o passar do tempo, com a história. Afinal, inúmeras são as influências do ambiente social para a formação da personalidade humana. Inegavelmente, a família é a mais importante de todas. É ela que proporciona as recompensas e punições, por cujo intermédio são adquiridas as principais respostas para os primeiros obstáculos da vida. É instituto no qual a pessoa humana encontra amparo irrestrito, fonte da sua própria felicidade. Os membros integrantes da família (pais, irmãos, avós, etc.) moldam o ser humano, contribuindo para a formação do futuro adulto. Não foi por acaso que um dos maiores nomes da literatura brasileira, Machado de Assis, já afirmara que “o menino é pai do homem”.

E biblicamente?
Creio que a melhor definição da concepção bíblica da família é a casa, pois a família nasce do sentido intenso de solidariedade que liga entre si e os membros do povo. O termo que expressa melhor a realidade da família como um todo único, solidário, na perspectiva do indivíduo, é o termo BAITH ou casa.
Casa se refere à família quer como casado/vivendo junto que se desdobra na história quer como grupo humano que partilha o mesmo quadro religioso e social. A família, a casa, é o lugar onde a fé é acolhida, surge também à necessidade de que ela, na sua totalidade, testemunhe o evangelho.
No Novo Testamento temos a casa novamente, o OIKOS. E é no contexto da família, da casa que as virtudes abstratas de amor, perdão, alegria, paz, bondade, domínio próprio, se fazem presente. É na casa que a hospitalidade torna-se virtude, o relacionamento cristão é exemplo ou ensino, para os não cristãos. E é nessa casa, nessa família, pelo ensino, que a paz e os valores se fazem presente. Pois na bíblia, paz é SHALOM. Na verdade, no hebraico, essa palavra toma dimensões maiores do que a nossa tradução para o português. Na verdade, SHALOM, no sentido mais lato da palavra, abrange o bem-estar (Juízes 19.20); a saúde física (Isaías 57.18; Salmo 38.3); a prosperidade (Salmo 73.3); o contentamento ao adormecer (Salmo 4.8); na partida (Gênesis 26.29) e no momento da morte (Gênesis 15.15, etc.); boas relações entre as nações e os homens (1Reis 5.26); Juízes 4.17; 1Crônicas 12.17-18); salvação (Isaías 43.7; Jeremias 29.11; cf. Jeremias 14.13).
Pode-se, portanto, dizer que a casa, o lar, a família, é o centro de ensino vital da fé e dos valores do Reino de Deus. É à família que é imposta a tarefa de fazer do ser humano mais humano e deste mundo, o kosmos, do Senhor.

FAMILIA E IGREJA: espaço de e para a educação e o resgate valores[1]
Família, nos dia de hoje, é uma configuração relativa, porque esta se transforma no decorrer da história. Até meados dos anos 90 do século passado tínhamos a família nuclear, a qual não existe mais hoje. Somos testemunhas de uma continua transformação da família e essas mudanças não são, em si mesmas, nem boas nem más. Há famílias extensas, nucleares, com ou sem nenhum progenitor, família sem filhos, famílias com filhos oriundos do companheiro apenas...
Com isso, o que é família para nós cristãos? Quem faz parte da família? Como ela nos dias de hoje pode ser espaço de ensino e propagação de valores do Reino de Deus?
Como resposta, leiamos o Evangelho de Marcos 3:31-35.
Família é todo aquele que fizer a vontade de Deus! E dela fazem parte todo àquele que fizer a vontade de Deus. E a família é espaço de ensino e paz quando propaga os valores do Reino de Deus. São os valores do Reino de Deus: amor, fé, justiça. Liberdade, ajuda, carinho, presença, diálogo, risos!
Sabe-se que a família tem seus conflitos e nem sempre é fácil ser família. Há momentos em que somos família de fato e outros em que somos qualquer coisa, menos família. Do ponto de vista jurídico, a família é um núcleo de convivência, unido por laços afetivos, que costuma partilhar o mesmo domicilio. A convivência em família pode ser feliz ou insuportável, pode ser amor e ódio, o domicilio pode ser espaço de hospitalidade, amor, afetividade, diálogo ou simplesmente mera pensão onde me alojo, durmo ou tomo banho.
Família é como uma semente. Assim, precisa ser cuidada, pois ainda não é fruto. Como semente, está por fazer, por amadurecer e frutificar. E de todo modo envolve o fato de se assumir as limitações e reconhecer que nem sempre faremos todo o bem que gostaríamos, pois há momentos difíceis, de dor, circunstâncias tremendas, até trágicas. A vida envolve tudo isso! Mas as dificuldades com pão são as menores, diz o provérbio, e o penoso da vida torna-se menos penoso quando o vivemos a partir de relações fortes.
Porque a família não consiste apenas nos laços de sangue, vai além! Não é algo que possamos comprar: “Dê-me 500 gramas de família”. E isso é um problema em nossos dias porque estamos acostumados a comprar tudo. Basta lembrar o que se faz com os filhos: enche-os de coisas que se pode comprar e priva-os de relações pessoais intensas e os pais, com isso, ficam satisfeitos.
Somos família à medida que há relações, somos mais família, quanto mais fortes são essas relações, e há dias em que simplesmente, não somos família.
Sei que vivemos em tempos em que sinceramente, a realidade de família muitas vezes é a descrita por Millôr Fernandes “Família um grupo de pessoas que tem as chaves da mesma casa.”  E sinceramente, de coração, o meu desejo é que  seria tão bom se o coração fosse o lugar mais família que pudesse existir. E não uma teoria ou uma falsa vivencia de família, um agrupamento... Somos o reflexo do lugar que moramos...
Pois somos família na medida em que na casa encontramos alguém e na qual nos sentimos mal quando ocorrer de ficarmos sozinhos. Ou seja, não é uma casa-hotel, pensão. Em casa deve-se estar e deve-se estar bem. Não é lugar para descarregar nossas raivas do dia de trabalho (história do gatinho que todo mundo pisava no rabo dele). A casa é lugar para brincar, para falar, entreter-se de mil maneiras, orar e divertir-se. Dar tempo é dar vida! Família não é lugar para cada um ficar na sua TV e no seu quadrado! Família é unidade, é respeito ao gosto do outro. É entender que há tempo para tudo, inclusive para ver ou não TV.  Família é lugar para amar, é lugar de erotismo, tesão, conversa, diálogos.
Casa e família são lugares para se falar. Falar significa que a família está viva e tem vida, e fortalece essa vida. É lugar de dizermos muitas coisas sem falar, sem palavras (um gesto, um sorriso, uma lágrima, um detalhe, um abraço apertado). Numa casa em que se fala e se dizem as coisas, existe a sensibilidade, a capacidade de escutar, para perceber as mensagens e dar respostas. Família é lugar de aprofundar o diálogo. É falar sem gritar, sem aborrecer, sem dar atenção em demasia a assuntos banais. Família também é  lugar de duas pessoas se amarem, fazerem amor.
 A casa e a família são pontos de referencia e de felicidade. É o ninho, o aconchego. Cada um sabe o que torna o outro feliz. Sem rabuchices constantes (afinal um dia ou outro tudo bem, mas sempre?), resmungos.
Há valores além dos do Reino de Deus, que são importantes para a família e igreja, nesse processo educacional de valores. São valores básicos.
        a família em si mesma. Nossa cultura é uma cultura da família. É um valor que se tem como pressuposto, ao ponto de se dizer que “a família não é o próximo, é a própria pessoa”.
       família como âmbito de aprendizagem do amor. As relações no interior da família são relações de amor, de transformação, mudança, crescimento. A família é como o útero no qual se é amado por si mesmo, tal como se é, em que se desenvolve a personalidade humana. A família se constitui uma escola de socialização a partir do amor, um espaço de gratuidade, no qual se vislumbra a paz e em caso de necessidade, a família mobiliza-se em uníssono para ajudar.
      obediência e respeito. Essencial em qualquer âmbito da vida social do ser humano, é parte do amor.
       transmissão do sentido transcendente da vida. Lugar das primeiras experiências religiosas ou de fé, de aprendizagem da oração, de encontro com Deus, de instrução de fé. A oração em família foi tradicional entre nós de muitas formas e não é porque a sociedade muda constantemente que ela deve ser ignorada. A vivência da fé na e com a comunidade de fé, é essência.  Todo momento é momento de vivenciar a fé, pois através da adoração nasce a esperança da libertação, o povo encontra a sua identidade, descobre sua história, faz o presente e o futuro. A transmissão do sentido transcendente da vida se dá em família, com a família de Cristo, a leitura da Bíblia, participação na vida da igreja, orações, afinal, na história do povo cristão, a oração era parte natural da vida diária.
      Escola de conhecimentos. Não só de conhecimentos, mas de tolerância, liberdade, solidariedade, sacrifício, fidelidade, transformação, mudança, saber dizer sim e não, recomeçar, terminar. A partir da família, o ser humano situa-se na história, nela surgindo às diferentes vocações de seus membros.
      Acolhimento.  Lugar de acolhimento, hospitalidade, fraternidade. De compartilhar com os outros, de modo especial com os mais necessitados, de ajuda mútua. De compromisso com a sociedade em que se insere, por seu bem comum, e também na Igreja. Aprendizagem da responsabilidade e da convivência, onde se descobre que um individuo não é um absoluto.
   Valores transcendentes[2] (Para se referir a relação de Deus com o mundo e com cada Crist@. As características, designadas transcendentais, são a unidade, verdade,  bondade, amor.  A transcendência, segundo Boff, se dá nos pequenos e grandes momentos, pois  para ele, somos seres de enraizamento e seres de abertura. Primeiramente nos sentimos seres enraizados. Temos raiz, como uma árvore. E a raiz nos limita, porque nascemos numa determinada família, numa língua especifica, com um capital limitado de inteligência, de afetividade, de amorosidade. Mas somos simultaneamente seres de abertura. Ninguém segura os pensamentos, ninguém amarra as emoções. Elas podem nos levar longe no universo. Podem estar na pessoa amada, podem estar no coração de Deus. Rompemos tudo, ninguém nos aprisiona. Mesmo que os escravos sejam mantidos nos calabouços e obrigados a cantar hinos à liberdade, são livres, porque sempre nasceram livres, e sua essência está na liberdade. Então, possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar interditos, de ir para além de todos os limites. É isso que chamamos de transcendência. TRANSCEDENCIA ESTÁ MUITO ALÉM DA RELIGIÃO. O SER HUMANO rompe, vai para além daquilo que é dado.) Na sociedade cristã, na vida cristã, predominaram os valores transcendentes: a verdade, honestidade, respeito a todo ser humano, liberdade, solidariedade, fé, tolerância, humildade, simplicidade, alegria, fecundidade, paz, verdade. Afinal, nosso Deus é sensível e atento aos sofrimentos dos oprimidos; que Deus está efetivamente comprometido com a libertação dos oprimidos; e, que Deus promete aos oprimidos uma vida feliz, numa terra nova.
Vivemos numa sociedade de mudanças constantes, em tempos incertos, mas, independente do tipo de familia (só com pai, só com mãe, ou com os dois pais, duas mães, formada no modelo nuclear, pais diferentes, novos casamentos...), os valores do Reino de Deus continuam vigentes e transformam a sociedade, pois se assim não o fosse, não estaríamos aqui e não seriamos cristãs e cristãos.
Que como família, independente de como ela seja formada, possamos olhar para o Reino de Deus e seus valores, e acimentar/alicerçar nossas casas nesses valores, para que o shalom, a paz que vem de Cristo inunde nossas vidas e casas e sejamos testemunhas do Reino de Deus. Pessoas que realmente caminham em busca da paz e que, pelo ensino, educando, resgatam os valores do Reino em casa: “O fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranquilidade e segurança permanentes.” (Isaías 32:17) E não apenas um lugar onde as pessoas tem a chave do mesmo lugar.
Deus nos abençoe.
Odete Liber






[1] Quando me refiro a valores da familia, me reporto sempre aos valores do Reino de Deus, que são, por conseguinte, os valores da familia e de todo cristão. O Reino de Deus gera transformação de valores espirituais, morais e principalmente ético-humanos. Para Gutiérrez “o Reino é graça, mas é também exigência. É dom gratuito de Deus e é apelo de conformidade ao seu desígnio de vida. Isto é o que se pede do discípulo, sua vida transcorre entre a gratuidade e a exigência.” E mudança é conversão, que significa mudança de comportamento, um enfoque diferente da vida, o início do seguimento de Jesus.
[2]  Ademais, temos a dimensão sã e também a dimensão patológica. Porque não somos só homo sapiens sapiens. Somos hoje, fundamentalmente, homo demens, duplamente demens, coisa esquecida na modernidade iluminista. Hoje somos dementes, em grau supremo. É a nossa situação. É o nosso arranjo existencial. Eis nosso enraizamento, nossa imanência. Mas somos simultaneamente seres de abertura. Ninguém segura os pensamentos, ninguém amarra as emoções. Elas podem nos levar longe no universo. Podem estar na pessoa amada, podem estar no coração de Deus. Rompemos tudo, ninguém nos aprisiona. Mesmo que os escravos sejam mantidos nos calabouços e obrigados a cantar hinos à liberdade, são livres, porque sempre nasceram livres, e sua essência está na liberdade. Então, possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar interditos, de ir para além de todos os limites. É isso que chamamos de transcendência. TRANSCENDÊNCIA ESTÁ MUITO ALÉM DA RELIGIÃO. O SER HUMANO rompe, vai para além daquilo que é dado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

a gente quer um amor



Há momentos na vida, há fases, dias em que a gente deseja, quer... Deseja um amor que arde, queima. Quer momentos com alguém que  você deseja com um sorriso largo, que conta piadas, até sem graça, mas você ri como nunca.
A gente deseja voar, correr sem hora, sem destino. Deseja aquela pessoa com fogo, com tempestade, doçura,  amargura, com  a dureza dos dias sem sol e a calmaria da imensidão de seus sonhos. Deseja e pronto!
A gente deseja o vir do outro, o ir, a presença, mesmo ausente, seu dó maior. Anseia por seu beijo,  abraço apertado, sorriso esperto, o correr das mãos pelo corpo um do outro. Se anseia pela fome que o outro provoca, pelo prazer que evoca, pelo ritmo que lança, enquanto se movimenta, lenta e docemente com agente. Se anseia pelos seus dias, pelas  horas, na cama e fora da cama. Se quer tudo o que essa pessoa trouxer, toda luz e toda escuridão que teremos de consumir.
O desejo, o querer, o anseio... Você anseia, deseja, você precisa. Precisa ouvir a voz dessa pessoa, deseja sentir o seu calor, precisa receber o seu amor, com volta, em dobro, atravessando pela gente.  Precisa-se do cheiro, da chegada, das partidas. Precisa da impaciência, da insegurança, dessa pessoa reclamando de você. Ah, a insônia, o aconchego em seu corpo, da conchinha na hora de dormir, dos pés gelados sob as cobertas, perdidos numa noite sem fim. Às vezes a gente precisa disso tudo e mais um pouco!
Cabelos desalinhados, barriga descoberta, o pouso do olhar do outro sobre você. Seu olhar sobre essa pessoa. A gente adora quando o outro faz uma surpresa, quando se é surpreendida. Quando o outro vem, fica e se demora mais e mais, sem tempo, sem regras, sem pudor. Até ama seu jeito desengonçado, seus beijos molhados, o corpo suado. E como é bom andar de mãos dadas, lutar contra o tédio, aceitar o outro em você... Adoro!
Mas eu desejo, a gente deseja muito mais, deseja que essa pessoa não se canse da gente, nem que ela saia de perto, mesmo as vezes longe. Deseja que tudo venha como for, que tudo teste a nossa dor, que a gente atravesse tempestades e ventanias avassaladoras, para que fiquemos mais fortes juntos, sempre, apesar e por causa do bem e do mal. Que a gente brigue e retorne, discuta e se acerte, que a gente se perca um no outro, a ponto de alcançar aquela felicidade que até dói.
A gente não quer um  amor muito açucarado porque enjoa, nem sorriso forçado, presença sem vontade, silêncio que separa, tesão sem amizade. A gente não quer ninguém morrendo de amores mas sim alguém vivendo de amor pela gente e a gente por por essa pessoa. Na verdade, a gente sempre quer verdade, entrega, partilha, acolhimento, força, resgate. No fundo a gente quer poder ir embora sem despedida, porque se tem a certeza da volta, do reencontro. E no fundo a gente quer  que o outro saiba da gente, da vida, cicatrizar cada ferida, amargar cada tombo, cada sonho sonhado e que e no meio do caminho não deu certo, cada falha, seja no sexo e na bossa nova, na MPB, Jazz ou POP.
Na verdade o que se quer é a outra pessoa, a gente quer amar, aprender a amar, a ter sem prender. No fundo, a gente quer o outro com laço, sem nó, nu e cru, sem dó. A gente deseja poder repousar tranquilamente a alma na do outro, assim, serenamente, com verdade, sempre e para sempre… Bem simples, simples assim! Afinal, “O nosso amor é como o vento. Não posso vê-lo, mas posso senti-lo.” (Nicholas Sparks)


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Te desejo uma paixão



Te desejo
O “ amor é fogo que arde sem se ver”, já dizia o poeta. Coração acelerado, mãos geladas, olhos brilhantes. Ah, o que o amor e paixão fazem com o ser humano.  Pena que a gente não consegue  prever ou controlar o que vem depois. Pode ou não dar certo. Pode ser o amor da sua vida apenas por um certo tempo. Pode doer para caramba depois. Você poderá chorar, ficar arrasad@. Mas passa viu!! E tudo começará outra vez!
Se eu pudesse ensinar as pessoas sobre se apaixonar, eu te diria para ser você mesma,  naturalmente você.  Porque se a pessoa pela qual você está apaixonada também estiver, tudo será muito bom.  Se apaixonar pela pessoa como ela é faz toda diferença. Por isso desejo que  a pessoa por quem você venha a se apaixonar, te aceite do como você é, inclusive descabelada, sem graça as vezes, feia, suada após a corrida ou um dia de faxina em casa, acima do peso depois de um tempo de ansiedade, doente, estressada com a vida no trabalho. Assim, a vida de apaixonada fluirá melhor, com menos medos e ansiedades, apenas curtir o outro, viver intensamente o momento.
Também gostaria de te dizer pra não criar expectativas, e desejar que a pessoa pela qual você se apaixone te surpreenda. Surpreenda-te com uma carta, te leve pra jantar sem avisar, te surpreenda com flores amarelas, vermelhas ou lilás, com uma visita, uma garrafa de vinho ou várias, com um cd com uma bela seleção de musicas pra te encantar e tocar seu coração, ou te surpreenda pela simples presença ao teu lado.
Quero te dizer que haverá momentos em que a relação ficará tediosa, e não só uma vez. Frequentemente isso acontece com todas as pessoas, todas as relações. Por isso que te disse para ficar com alguém que te surpreenda, com os menores detalhes, ainda que sem grandiosidade, um pouquinho por dia. Você vai desejar ter do seu lado alguém que te conte uma piada pra você rir quando estiver estressada, cansada, e você irá rir muito! Você irá desejar que essa pessoas te tire para dançar em um dia depressivo, e se isso soar piegas, alguém que tenha animo para sair por ai com você.  Tente se apaixone por uma pessoa que te levante da cama quando você não tiver condições para isso, e não por alguém que te deixa de lado quando você não estiver bem.
Gostaria de te dizer para escolher quem te faz sorrir, ou quem sorri com você, e que aceite teu lado feio, porque ele existe e ele também tem esse lado.  Anseio que essa pessoa esteja disposta a aceitar o seu “não” e ainda  o seu choro, seus medos e dores. E desejo que você não tenha vergonha de assumir suas fraquezas, defeitos, por mais gritantes que sejam. Assim são todas as pessoas!
Desejo que você escolha quem te admire, quem não te faça se perder de você. Te desejo uma pessoa que não te imponha rédeas, que não te diga o que vestir, o que fazer ou como se comportar.  Desejo que você tenha ao seu lado quem aceite você como é, com o que você faz, ganhando um prêmio ou desempregada. Te desejo que a pessoa te admire e se encante por você ser o que é!
Desejo que você fique com alguém que te faça crer que o mundo pode acabar hoje e mesmo assim você não se preocupa com isso, porque isso tudo te leva ao céu. Desejo alguém que te faça sentir vontade de gritar ao mundo de felicidade. Desejo pra você alguém te faça crer que o tempo parou, que o mundo é lindo, perfeito quando você está com ele e ele com vc. Que você se apaixone por uma pessoa que te faça se sentir no filme de sua própria vida, porque a paixão traz consigo romance, sonhos e também dor.
Desejo que você se apaixone por quem te pega na sua mão, venda seus olhos e te leva a algum lugar inesperado, te leva à praia pra tomar água de coco no meio da tarde ou para o outro lado do mundo.
Ah se eu pudesse desejar só coisas boas. Se eu pudesse te ensinar sobre a paixão, te  falaria para arriscar até as últimas circunstâncias. Te desejaria que você comprasse a briga por essa paixão, e para não abdicar, não ter medo e cair de cabeça. Falaria para você ficar com ele/ela!  E se eu pudesse te ensinar, te diria para no meio dessa paixão, achar o amor, porque, ele fica. Mas caso não encontre, viva a vida intensamente, sabendo que pode doer e olha que dói, que você pode chorar, passar dias com o coração na mão de tanta dor, mas tudo passará e você verá que poderá continuar!